A Vida Sentimental de Robertinha

Esta é uma história muito engraçada que aconteceu com uma amiga muito próxima, quase irmã.

CAP 11. A Vida Sentimental de Robertinha

17 anos. Roberta tinha acabado de entrar na Universidade quando arranjou um namoradinho – o seu primeiro de muitos. Era domingo e o excelentíssimo havia dito que iria almoçar na casa dela. Ela deixou toda a família em prontidão. Queria esperar o príncipe com tudo do bom e do melhor. Pediu para a mãe fazer uma lasanha de frango, prato favorito do amado, e, ansiosa, ela pediu ao pai uma carona para ir ao supermercado comprar uma lata de leite condensado para fazer uma torta de limão. Estava calçando o all star, quando o telefone tocou. Era Lígia, mãe do bonito, pedindo para a nora avisar seu filho que ela iria almoçar com uma amiga e só voltaria para casa depois das 18 horas – na época, celular era um artigo de luxo. Roberta disse que avisaria o namorado assim que ele chegasse. Foi quando a sogra perguntou: – “Como assim, ele não dormiu ai?”. Surpresa, Roberta disse que não. Preocupada, a mãe do menino dedurou sem querer que o filho não havia dormido em casa porque iria com a namorada a uma festa bem famosa na cidade e nos arredores. Orgulhosa, Roberta engoliu seco e tentou não transparecer que estava enfurecida. Com ironia, ela respondeu: – “Se ele não chegou ainda é porque o carro deve ter quebrado no meio do caminho ontem à noite.”. Sem graça, Lígia percebeu que havia dito demais. Pediu desculpa por incomodar, desejou um bom almoço a todos e desligou o telefone. Percebendo a indignação da filha e sem entender direito o que havia acontecido, o pai de Roberta encarava-a na porta da sala com uma cara de espanto. Nesse momento, Roberta decidiu vingar-se. A adolescente foi ao supermercado comprar a tal lata de leite condensado e para fazer a melhor torta de limão do mundo. Eram 16 horas quando o deus grego bateu no portão de Roberta. Ele havia passado a madrugada com os amigos e dormido no apartamento do pai que estava viajando. Tentando não entregar o plano maquiavélico, ela recebeu o magnânimo com um beijo e um abraço calorosos. Disse que estava preocupada porque ele não havia chegado em tempo para o almoço. Ele disfarçou dizendo que estava na casa do pai porque um cano havia estourado e feito um estrago. Ela, então, pediu que ele se sentasse porque ela havia feito uma sobremesa especialmente para ele. Todos os ingrediente estavam válidos e eram de boa qualidade, mas o preparo e o resultado… A massa estava grossa demais e dura como uma pedra. O gosto do recheio era um misto de azedo com amargo, quase não dava para perceber o leite condensado. Por fim, a textura do creme estava de chorar, ela havia usado dois saches de gelatina sem sabor mal dissolvidos – dava para ver os grumos de longe. Ninguém teve coragem de comer o doce, mas Robertinha fez o galã comer mais da metade da torta sozinho enquanto fingia o contemplar apaixonada. Quando o menino disse não aguentar mais comer, ela revelou que sabia a verdade e botou o lindo para correr. Hoje, Roberta ama fazer tortas.

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