A Vida Sentimental de Anônima Parte 1

O texto abaixo foi entregue a mim por uma mulher contemporânea que vivenciou tais experiências e prefere não adotar nenhum pseudônimo.

CAP6. A Vida Sentimental de Anônima Parte 1

O mundo parecia parar literalmente no momento em que ela fechou o portão e deixou ele ir. Enquanto o via se afastar, entendia que seria para nunca mais voltar. Ele caminhava, de cabeça baixa e cada vez mais rápido, como se estivesse fugindo. Já, a cabeça dela girava. Sua vontade era de abrir o portão e sair correndo atrás dele, gritando o seu nome. Queria convencê-lo de que era ela quem ele desejava, de que tudo ia se resolver, do que eles dariam um jeito – bastava querer. Mas, ela se sentia fraca, parecia que estava prestes a cair ali mesmo e que não conseguiria levantar-se. Ao mesmo tempo, não saia da sua cabeça: – “Do que adianta? Ele já disse que não quer mais!”. Nesse momento, o peito apertava de uma forma que ela só sentiu por causa dele. Depois, vieram as sensações de simultâneas facadas. Era desesperador. Ela tinha certeza de que nunca sentira dor tão intensa. Tinha também consciência de a sua dor poderia parecer menor se comparada com as angustias de outras pessoas. Mas, ela não conseguia evitar. Naquele momento, a dor era só sua.

Ela entrou em casa e se permitiu jogar aquela dor aniquiladora para fora de si. Era grande demais e tomava conta dela. Provocava náuseas. Parecia engasgar como se tivesse uma pedra na garganta. Não parava de soluçar. Afim de se livrar da dor, ela decidiu sentir tudo pela última vez. Ela chora, chora alto, chora forte, chora colocando toda a sua dor em forma de lágrimas. No chão do banheiro, com a toalha entre o rosto e os joelhos, sufocava os gritos que vinham à tona. Ela permitiu que a agustia tomasse conta dela.  Sentia o fracasso e a solidão. Sentia-se um nada, pequena. Como ele teve coragem de fazer isso com ela?  Mais lágrimas, mais soluções, mais espasmos. Ele sabe o tamanho da dor que causou? Como ela deixou que ele fizesse isso com ela? A dor aumentava enlouquecedoramente e com ela a ânsia que provoca mais choro. Ela sentiu tudo e sabia que lembraria disso para sempre.

O tempo passou. Os espasmos pararam, depois os soluços e, por último, as lagrimas. Ela ficou ali parada, exausta, em posição fetal e com a toalha sobre o rosto. Ainda se sentia menos do que uma formiga. O rosto ardia, mas o corpo parecia dormentem, com que anestesiado, sem forças de tanto chorar. Sua mente se foi e ela se aproveitou disso. Não pensava em mais nada, nem na dor, nem no amanhã. Finge esquecer-se daquilo que iria marca-la, daquilo que não deixaria mais ela ser a mesma pessoa. Era como se ela visse o seu corpo de cima. Era como se ela pudesse ver a sua metamorfose acontecendo.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s