Ciborgues

Por Alex Soares Vieira

 

Quando você lê ou ouve alguém falar a palavra ciborgue, qual a primeira coisa que vem em sua mente? Provavelmente você lembrou do Arnold Schwarzenegger na trilogia Exterminador do Futuro, do filme Eu, robô, de Darth Vader ou até mesmo dos Borgs de Jornada nas Estrelas, mas você conhece o significado do termo ciborgue?

Se você for até a Wikipédia encontrará o seguinte: “Um Ciborgue é um organismo cibernético, isto é, um organismo dotado de partes orgânicas e mecânicas, geralmente com a finalidade de melhorar suas capacidades utilizando tecnologia artificial.”. Vamos traduzir o que está escrito aí: um ciborgue é alguém que se utiliza da tecnologia para melhorar sua vida, sendo indivisíveis em certo ponto. Qual a conclusão que tiramos disso? Simples: ciborgues não são algo que somente estão presente no imaginário humano ou em cinemas, eles estão muito mais próximos do que imaginamos.

Pesquisadores de uma universidade de medicina dos Estados Unidos, comandados pelo neurocientista Andrew Schwartz, criaram uma interface que permite que robôs sejam controlados por comandos cerebrais. Andrew Schwartz tem realizado pesquisas correlacionadas desde 2006. Nesse estudo um transmissor foi implantado na mão de um macaco e um receptor em um braço mecânico, fazendo com que o macaco conseguisse mover o braço robótico. Isso pode parecer um pouco distante do nosso dia-a-dia, já que estamos falando em macacos com implantes realizando testes em laboratório, certo? Errado!

Christian Kandlbauer pode ser considerado um ciborgue. Christian acabou por ter os dois braços amputados após sofrer um acidente elétrico em 2005. Em julho de 2010 Christian testou protótipos de próteses controladas pelo cérebro, ou seja, Christian conseguiu controlar as juntas dos seus novos braços artificiais apenas pensando nos movimentos (as próteses de Christian utilizam os nervos dos braços amputados para controlar os braços mecânicos)!

Esses parecem casos extremos que não veremos todos os dias pra você? Mas e seu eu disser que pesquisadores de uma universidade da Alemanha (Universidade Freie em Berlin) estão desenvolvendo um sistema que usa as ondas cerebrais para controlar um carro (Isso mesmo, você pensa e o carro anda!), o que você pensaria? Certamente todos nos tornaremos ciborgues no futuro então, já que estaremos inseparáveis até certo ponto dessa tecnologia.

 

 

No futuro? O futuro é agora: pesquisadores australianos apresentaram em 2010 um protótipo de olho biônico (uma câmera miniaturizada em um óculos, cuja função é captar as imagens e convertê-las em sinais elétricos, e um microchip implantado sobre a retina, cuja função é estimular as células ainda presentes no olho do paciente responsáveis pela visão) que estava pronto para ser implantado em humanos, o que pode ajudar aqueles que têm perdas de visão. Claro que a visão do usuário não será tão boa quanto à de uma pessoa sadia, mas entre ver alguma coisa e não ver nada, o que você escolheria?

Mas vamos pensar em outros casos. Seu avô que usa um aparelho auditivo, ou seu amigo que usa óculos, e até mesmo você que não vive sem seu celular e/ou computador são ciborgues. É isso que defende Kosta Grammatis. Kevin Warwick, professor de cibernética na Inglaterra, também diz que qualquer ser que combine tecnologia com biologia humana, como por exemplo, uma pessoa usando um par de óculos, pode ser definida como um ciborgue. Já George Landow vai além dizendo que os humanos sempre foram ciborgues, visto que utilizamos ferramentas como guarda-chuvas, roupas, medicamentos e até mesmo a linguagem e a matemática.

A essa altura da leitura você deve estar achando que tudo isso é bobagem, e eu em parte concordo. Acredito que ciborgue seja um ser humano que se utiliza da tecnologia para realizar uma tarefa que não consegue sem o auxílio dessa. Mas nesse caso, eu (que uso óculos) apenas consigo enxergar de óculos (um instrumento tecnológico) e sou um ciborgue.

É claro que seria excelente se meus óculos acessassem a internet e me fornecesse informações sobre tudo aquilo que eu vejo. Ops, isso já existe: investigadores finlandeses criaram um par de óculos que funciona como um computador acessando a internet e buscando informações sobre aquilo que você vê. Claro que no momento os óculos apenas apresentam dados gravados como em um computador, mas futuramente se espera que os óculos deem zoom em objetos visualizados pelo usuário e mostre informações sobre este objeto, como ao olhar para um alimento obter informações nutricionais ou uma receita com esse.

Depois disso tudo, o que você pensa das tecnologias que usa? São somente ferramentas ou elas fazem parte do que você é? De quem você é? Lendo agora a palavra ciborgue, qual é a primeira coisa que vem a sua mente? Você é um ciborgue assim como eu?

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