Quais perguntas você tem em mente?

Por Alex Soares Vieira, físico graduado pela UFRGS.

 

No início desse ano li um artigo que me fascinou, crianças de 8 a 10 anos de uma escola da Inglaterra fizeram uma descoberta científica sobre o comportamento de abelhas. Descobertas científicas parecem algo que somente senhores de cabelos brancos, óculos com espessas lentes e jalecos conseguissem fazer depois de passar horas, dias ou até meses dentro de laboratórios mexendo em equipamentos sofisticadíssimos. Contudo, crianças de 8 a 10 anos conseguiram fazer utilizando papel, alguns desenhos coloridos e água com açúcar. Claro que esses alunos tiveram orientação de professores, mas o mérito também foi em grande parte deles, afinal de contas foram os alunos que observaram o comportamento das abelhas.

E o que esse jovens cientistas descobriram? As abelhas utilizam uma combinação de padrões de cor e formas para saber quais flores possuem néctar, algo que até então nenhum senhor de cabelos brancos, óculos e jaleco havia descoberto. As crianças mesmo citam que acabaram por descobrir também que “a ciência é interessante e divertida porque você começa a fazer coisas que ninguém jamais fez antes”.

Por trás desse artigo, está uma pesquisadora que tinha por base a idéia de que a ciência é como um jogo no qual as regras permitem que se observem padrões os quais acabam por ampliar a compreensão da natureza. O ensino desta forma torna os alunos mais ativos, conscientes, críticos, intuitivos, com melhores capacidades para elaborar perguntas, enfim, muitas e muitas qualidades apreciáveis.

 

 

 

E, logo após ler o artigo e me maravilhar com crianças cientistas, eu me lembrei de um episódio dos Simpsons em que Homer ataca de inventor, tentado criar tantas coisas uteis (ou nem tanto) quanto o possível. Homer tinha se inspirado em Thomas Edison, que em 1879 havia criado a lâmpada e tantas outras coisas. Bom, o ponto em que eu quero chegar é exatamente este: Se Homer conseguiu inventar coisas úteis e novas (o martelo elétrico), não é necessário ser um gênio para se participar da ciência.

A Astronomia é umas das áreas de conhecimento que tem participações relevantes de amadores, apenas nos últimos anos podemos citar a descoberta, em parceria com astrônomos amadores, de um novo sistema solar, cuja descoberta foi publicada em uma revista de renome (Science). Um dos astrônomos amadores, Jenny McCormick, de Auckland da Nova Zelândia, chegou a comentar o seguinte sobre o fato: “Como um astrônomo amador que atua em seu jardim no fim do mundo com um pequeno telescópio, como descrever verdadeiramente o fato de fazer parte de uma descoberta tão importante e apaixonante? É fantástico!”

 

Tudo o que se precisa para fazer parte desse mundo que aparenta ser restrito a poucas pessoas é um pouco de dedicação e um olhar diferente sobre as coisas. Com um olhar diferente quero dizer curiosidade, esse é um fator muito importante. Uma aluna certa vez me disse: “…Hoje eu ‘fui no’ cinema e lembrei de ti quando vi a tela e a luz do projetor… ‘Tô’ vendo as coisas e vendo física em tudo”. Isso porque nós tinhas estudado sobre imagens em espelhos, reflexão e tudo o mais que envolve óptica geométrica. A idéia por trás da ciência é exatamente essa, despertar a curiosidade para que possamos olhar de perspectivas diferentes aquilo que parece comum. O “grande lance” não é se ter boas respostas, mas se ter excelente perguntas, é aí que tudo começa, é daí que vem isso que chamamos de ciência. Quais as perguntas que você tem em mente sobre o mundo que o cerca?

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