A Batida Funk

Por Ana Carla Vieira e Paula Vieira

Quem nunca se deixou levar pela batida funk que atire a primeira pedra. Esse é um estilo musical nascido em bailes de black music que aconteciam, na década de 1970, nos morros cariocas e que, hoje, está associado a danças sensuais, mulheres voluptuosas e letras rimadas com apelo sexual. Mas, o funk não se resume a isso.

No Brasil, o ritmo foi importado, como muitos outros, dos Estados Unidos. Porém, não foi somente o gênero norte-americano que influenciou o carioca. O soul, o jazz e o swing também tiveram a sua parcela de “culpa”. Tais batidas foram incorporadas por ícones da música negra no Brasil – como Gerson King Combo, Tim Maia, Tony Tornado e Carlos Dafé – e, por consequência, acabaram impulsionando, a partir dos anos 1970, o surgimento de um estilo ainda mais dançante: o funk brasileiro. Foi nessa mesma década que surgiram as primeiras equipes de som cariocas, como a Furacão 2000, que organizavam bailes dançantes.

Mas, foi somente a partir de 1989 que passaram a ser lançados funks com letras em português. Na época, os bailes se tornaram cada vez mais populares e o ritmo levava consigo uma carga grande de protesto, no qual se repetiam temas como drogas, armas, tráfico e o cotidiano da população menos favorecida, especialmente de comunidades das favelas cariocas.

 

 

 

Além disso, infelizmente, com a popularização dos bailes, veio a violência entre grupos que dividiam a pista. As brigas se tornavam cada vez mais frequentes, prejudicando a imagem do movimento e aumentando a pressão por parte da imprensa e da polícia carioca. Contudo tal pressão não foi a única responsável pela diminuição da violência nos bailes. Foi também na década de 80 que o som ganhou uma proposta diferente graças à incorporação do Miami Bass. Nascido na Flórida, o ritmo era e ainda é caracterizado por batidas mais rápidas e letras sensuais.

O batidão, como é frequentemente chamado, apesar das críticas pelas letras pouco criativas e/ou apelativas, possui artistas que se sobressaem pelo conteúdo e garantem seu sucesso nas rádios e nas pistas. Um exemplo de sucesso é o DJ Marlboro, que trabalha há mais de 20 anos com o ritmo e hoje é reconhecido por seu trabalho musical e pela divulgação de novos nomes.

 

 

Outros músicos ganharam destaque no cenário nacional com o funk, como é o caso da cantora e compositora Fernanda Abreu. Ex-vocal de apoio da banda Blitz, Fernanda se lançou em carreira solo em 90, buscando inspiração para o seu álbum de estréia, “Sla Radical Dance Disco Club” , na disco music. Mas, foi em 92, com “em Sla 2 Be Sample”, que ela alcançou o sucesso conseguiu definir a sua identidade musical através das faixas “Rio 40 Graus” e “Jorge da Capadócia”, abertamente influenciadas pela batida do morro. Além disso, há também quem faça do funk um ritmo mais pop adicionando a ele letras nada agressivas e que ganharam diferentes versões, como a ex-dupla Claudinho e Buchecha e o MC Leozinho.

 

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