Quando os monstros vão ao cinema

 

Um dos primeiros filmes a trazer elementos fantásticos para o cinema foi “Le Voyage Dans La Lune” (“A Viagem à Lua”) de 1902. Escrito e dirigido por Georges Méliès, que se baseou nas obras “Da Terra a Lua” de Jules Verne e “Os Primeiros Homens na Lua” de H. G. Wells, o curta, com pouco mais de 11 minutos, conta a história de um grupo de “cientistas” que desenvolve um canhão que permite a ida à Lua. No entanto, quando os passageiros chegam ao seu destino, são capturados por extraterrestres, os selenitas, e a jornada começa.

Méliès, que era ilusionista, ao ser convidado por Antoine Lumière, freqüentador do seu Théâtre Robert-Houdin, para assistir à primeira exibição pública do cinematógrafo, não teve dúvida: decidiu se aventurar na sétima arte. Ele começou com uma câmera improvisada a registrar o cotidiano das ruas de París, e não satisfeito decidiu que deveria incorporar elementos ilusórios, já conhecidos da fotografia, aos seus registros: exposição múltipla de imagens, sobreposição e fusão.

 

Vinte anos depois foi a vez de Friedrich Wilhelm Murnau (direção) e Henrik Galeen (enredo) inovarem com “Nosferatu, Eine Symphonie des Grauens”, ou simplesmente “Nosferatu”, em Português. Esse clássico do expressionismo alemão não só ajudou a difundir as características do gênero cinematográfico* como também foi o primeiro longa dar vida a um vampiro. Mas, enganam-se aqueles que nunca assistiram ao filme e têm em mente a imagem de um ser sombrio e sedutor. O personagem é a personificação do vampiro do leste europeu – uma criatura assustadora, repulsiva – e introduzir a idéia de que os vampiros não podem se expor à luz do sol. O longa foi livremente inspirado no Drácula de Bram Stoker.

 

 

No entanto, o que consagrou, sem dúvida, os seres sobrenaturais na sétima arte foram os Universal Monsters. Nos seus primeiros anos de vida, a companhia, que se chamava Independent Moving Pictures Company, lançou seu primeiro clássico de terror “Dr. Jekyll and Mr. Hyde” (1913) com direção de Herbert Brenon e Carl Laemmle, que também foi responsável pelo roteiro.

 

 

Mas, foi a partir da produção da década de 20 que a já Universal ficou conhecida como o estúdio de filmes de monstros. Os primeiros da série foram o “O Corcunda de Notre Dame” (1923) de Wallace Worsley e “O Fantasma da Ópera” (1925) de Rupert Julian, ambos mudos. Depois, Tod Browning presenteou o público com “Drácula” (1931), consagrando Béla Lugosi na figura do vampiro enigmático e irresistível. “Drácula” foi baseado não no romance em si, mas na peça de mesmo nome de Hamilton Deane e John L Balderston, que, por sua vez, era uma adaptação do livro de Stoker. Era o início da Grande Depressão nos Estados Unidos e os filmes serviram de momentos de escape em meio à crise.

 

 

Seguindo a lista temos: “Frankenstein” (1931) de James Whale ; “A Múmia” (1932) de  Karl Freund com Boris Karloff no elenco e “O Lobisomem”(1941) escrito por Curt Siodmak e produzido e dirigido por George Waggner.

 

 

Até o final da década de 50, a Univesal produziu um número grande de filmes de horror, alguns inclusive foram baseados ou tinham ligação com contos de Edgar Allan Poe, como “Assassinatos na Rua Morgue” (1932) e “O Gato Preto” (1934). Muitos personagens eram tão populares que chegaram a ser transformados em bonecos, além disso, de 60 em diante, os Universal Monsters receberam diversas homenagens em programas de televisão e remakes.

 

Hoje, os monstros estão em toda parte, desde grandes produções até de baixo orçamento. A diferença é que os filmes do gênero combinam características do expressionismo alemão com grandiosas cenas de ação – e eu não acho nem um pouco ruim, na minha opinião a versão de “A Múmia”(1999) é tão legal quanto o original.

 

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* o expressionismo alemão foi uma vanguarda que nasceu no campo da pintura no início do século XX e permeou diferentes manifestações artísticas – arquitetura, fotografia, escultura, teatro, literatura, música, cinema, etc. Ela se caracterizava pela deformação da realidade em razão da intenção do artista em apresentar a sua interiorização, a visualidade subjetiva. Por sua vez, o clima sombrio que aparece constantemente nas obras se deve a crise enfrentada pelo país com o fim da Primeira Guerra Mundial. E para obter um melhor resultado ao demonstrar mórbidez e tensão, cineastas se valeram planos tortuosos, oblíquos e abruptos; autocontraste; cenários assimétricos e que remetiam à decadência e à loucura, etc.

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