Milo Manara – Puro Voyeurismo

O meu primeiro post é sobre algo que eu achei por acaso, só que não na internet. Há uns quatros anos mais ou menos, eu estava na biblioteca da faculdade procurando alguma coisa para ler no final de semana quando achei um guia que trazia personagens marcantes do universo das HQs. O livro até que se pretendia completo. Tinha de Super-Homem, criação da dupla Joe Shuster e Jerry Siegel, à Vampirella, trabalho em conjunto de Forrest J. Ackerman, Trina Robbins e Frank Frazetta. Mas,  um autor, até então desconhecido para mim, que chamou a minha atenção, era Milo Manara com a sua Gullivera.

Nascido em 1945 em Luson, comuna italiana situada no norte do país próxima a fronteira com a Áustria, Manara demonstrava desde cedo gosto pelo desenho – dizem que, quando pequeno, ele ilustrou sozinho Ilíada e Odisséia. No entanto, seu talento só começou a tomar forma nos anos 60, quando ele inicio a sua vida profissional como assistente do escultor espanhol Berrocal, com quem aprendeu a tomar gosto por quadrinhos.

Seus primeiros desenhos profissionais foram cartazes políticos e histórias infantis, além de uma série de histórias eróticas – muito populares na Itália – no estilo noir publicadas em edições de bolso como a revista “Genius”. Depois, vieram várias colaborações com outras revistas como a “Alter Linus” (“O Macado”, 1976-77, com conteúdo de teor político); ilustrações para a série didática “Descoberta do Mundo” da editora Larousse; as aventuras “HP e Giuseppe Bergman” para a revista francesa “Suivre” e enfim o sucesso mundial com o altamente erótico “Clic” (revista italiana Playmen, 1983).

“Gullivera” (1995), livremente inspirada no romance de Jonathan Swift, é mais uma das suas personagens femininas – suas Brigittes Bardot – que rompem com a idéia de mulher objetos para representarem seres sexuais.  O trabalho de Manara é muito sensual até mesmo quando ele não necessariamente pretende. É o caso das ilustrações que o artista fez de alguns filmes do amigo Federico Fellini, que também se dedicava ao universo das HQs – e, veja bem, eu não estou falando de “Viagem a Tulum”, que por acaso não chegou a ser transformado em longa, média ou curta. Manara é ápice do voyeurismo.

Mas, a verdade é que, com mais de 40 anos de carreira, Milo Manara impressiona por dois fatores: o traço realista – herdado talvez da arte de esculpir, das aulas na Academia de Artes de Verona e pelo curso inconcluso de Arquitetura em Veneza – e o senso crítico – ele, que militou em pleno Maio de 68, nunca deixou de expor a sua opinião seja sozinho como em “Bolero” (1999), livro no qual faz uma retrospectiva evolutiva de humanidade expondo todo o seu individualismo e sadismo, seja em parceria como na trilogia “Borgia” (2006), na qual fala junto com o chileno Alejandro Jodorowsky sobre o reinado de corrupção do Papa Alexandre VI .

E eu aproveito o espaço para indicar um site que acabei me deparando nessa minha busca por mais informações sobre o trabalho de Milo Manara, é o www.guiadosquadrinhos.com. A página é um banco de dados colaborativo que teve como inspiração o “Guia de Preços dos Quadrinhos”, uma seção da Revista Wizard (Editora Globo). A diferença é que, desde 2007, o site se concentra em catalogar as HQs publicadas no Brasil sejam elas “comerciais” ou fanzines. E o mais legal é que para aqueles que querem ter uma base sobre uma publicação ou autor o guia pode servir como uma fonte.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s